China impõe cota com sobretaxa de 55% e redefine exportações brasileiras de carne bovina
- 04/03/2026
A decisão da China de impor cotas à importação de carne bovina para os principais países fornecedores inaugura um novo capítulo para a pecuária brasileira. O Brasil terá limite de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com aumento de cerca de 2% nos dois anos seguintes. O volume que ultrapassar esse teto enfrentará sobretaxa de 55%, o que, na prática, inviabiliza embarques acima da quota.
Do ponto de vista econômico, trata-se de uma salvaguarda comercial. “É uma medida de salvaguarda, ou seja, quando o país impõe alguma restrição nas importações com a justificativa de proteção do mercado e da indústria local. O governo Chinês estipulou essas cotas para limitar volumes e preservar preços internos. Acima da cota, há o pagamento de sobretaxa de 55%, o que prejudica a competitividade”, explica Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global.
A medida atinge o principal destino da carne bovina nacional. Segundo a ABIEC, em 2025, foram exportadas 3,50 milhões de toneladas de carne bovina brasileira, aumento de 20,9% em relação a 2024. O volume gerou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% acima do ano anterior.
Ainda de acordo com a entidade que representa os frigoríficos exportadores, a China respondeu por 48% desse total, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,90 bilhões. Na sequência vieram Estados Unidos (271.800 t; US$ 1,64 bilhão), Chile (136.300 t; US$ 754,5 milhões), União Europeia (128.900 t; US$ 1,06 bilhão), Rússia (126.400 t; US$ 537,1 milhões) e México (118.000 t; US$ 645,4 milhões).
A ABRAFRIGO manifestou “profunda preocupação” com a decisão chinesa, classificando a medida como um risco “material e imediato” ao desempenho das exportações brasileiras e ao equilíbrio da cadeia produtiva nacional. A entidade alerta que o impacto potencial pode significar perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026.
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