França, Rússia e China vetam resolução da ONU sobre uso da força para reabrir Estreito de Ormuz
- 03/04/2026
França, Rússia e China frustraram efetivamente nesta quinta-feira, 2, uma iniciativa dos países árabes para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizasse uma ação militar contra o Irã com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz, afirmando que se opunham a qualquer formulação que autorizasse o uso da força, segundo um diplomata e um alto funcionário da ONU.
A votação propriamente dita da resolução, que foi redigida pelo Bahrein com o apoio dos países árabes do Golfo Pérsico, deve ocorrer na sexta-feira, 3. Mas ainda não ficou claro se horas extras de diplomacia conseguiriam convencer os três países com direito a veto a apoiar a medida.
Rússia, China e França estão entre os cinco membros permanentes do Conselho com direito a veto. Também houve divisões sobre a resolução entre os dez membros não permanentes, segundo diplomatas.
O atual projeto de resolução está em sua quarta revisão, após semanas de negociações a portas fechadas. A parte do texto que gerou um impasse estabelece que o Conselho de Segurança “autoriza os Estados-membros, agindo individualmente ou por meio de parcerias navais multinacionais voluntárias, mediante notificação prévia ao Conselho de Segurança”, a utilizar todos os meios necessários “para garantir a passagem de trânsito e impedir tentativas de fechar, obstruir ou interferir de qualquer outra forma na navegação internacional pelo Estreito de Ormuz”.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico por onde normalmente passa um quinto do petróleo e do gás do mundo, logo após os Estados Unidos e Israel terem iniciado uma guerra contra o país em 28 de fevereiro. O fechamento causou perturbações no abastecimento energético global, prejudicou os mercados financeiros e aumentou os custos do petróleo, do transporte marítimo e dos seguros. O Irã também lançou milhares de ataques retaliatórios contra as nações árabes do Golfo Pérsico — que abrigam importantes bases americanas —, matando pelo menos 18 civis e causando graves danos à infraestrutura militar e energética
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, disse em uma sessão do Conselho de Segurança nesta quinta-feira que as “intenções agressivas do Irã” em relação aos seus vizinhos árabes eram “traidoras” e “pré-planejadas”, além de violarem o direito internacional. Ele afirmou que o Irã havia atacado estruturas civis, como aeroportos, estações de água, portos marítimos e hotéis.
O Irã sinalizou nesta quinta-feira que pretendia continuar a supervisionar o tráfego marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz, mesmo após o fim da guerra.
Para o Irã, o fato de seus vizinhos árabes se unirem contra ele no Conselho de Segurança representou uma grave, e talvez irreparável, deterioração das relações. Durante anos, o Irã cultivou laços mais estreitos com seus vizinhos, apenas para destruí-los durante o último mês de guerra.
E o presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quinta-feira que os comentários do presidente Trump instando os países que dependem do estreito a forçá-lo a abrir eram irrealistas.
“Isso não é viável porque levaria um tempo excessivo e exporia qualquer pessoa que cruzasse o estreito às ameaças costeiras da Guarda Revolucionária, que possui recursos significativos, bem como mísseis balísticos, além de uma série de outros riscos”, afirmou Macron.
Abdulaziz Sager, presidente do Gulf Research Center, um centro de estudos com sede na Arábia Saudita, disse que qualquer acordo de cessar-fogo também deve abordar a capacidade do Irã de atacar os países do Golfo e controlar o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. “Não esqueceremos o que eles nos fizeram, e eles não esquecerão que os EUA tinham muitas instalações aqui no Golfo”, disse ele
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