Criminosos ateiam fogo a caminhões e fecham a Av. Brasil em represália a ação da PM no Complexo de Israel
- 24/08/2026
A Polícia Militar do RJ iniciou na madrugada desta segunda-feira (24) a 2ª fase da ocupação do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em represália, no meio da manhã criminosos atearam fogo a 2 caminhões, fechando ambos os sentidos da Avenida Brasil.
Agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram para Vigário Geral e Parada de Lucas. Houve intensos tiroteios na chegada das equipes, e por volta das 2h30 a PM decidiu fechar preventivamente a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Rodovia Washington Luís — o tráfego ficou interrompido por cerca de meia hora.
Por volta das 9h40, porém, grupos invadiram a Avenida Brasil na altura de Coelho Neto, renderam os motoristas de 2 caminhões, mandaram atravessar os veículos na pista e os incendiaram.
Outros 2 caminhões foram atacados na altura de Vigário Geral, também em ambos os sentidos.
Por volta das 11h45, o trânsito estava parcialmente liberado, com muitas retenções. Quatro homens haviam sido presos, e equipes apreenderam 2 fuzis e 1 granada. Não havia informações sobre feridos.
O Complexo de Israel é um conjunto de favelas em Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP), facção do tráfico que disputa território com o Comando Vermelho (CV). Também fazem parte do complexo a Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-pau.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 8 unidades escolares foram impactadas pelas operações policiais.
Já a Secretaria Municipal de Saúde informou que 2 unidades de atenção primária suspenderam o funcionamento e avaliavam a possibilidade de abertura nas próximas horas. Outras 3 unidades mantinham o atendimento, mas cancelaram as visitas domiciliares.
De acordo com o Rio Ônibus, 20 linhas tiveram de mudar o itinerário:
- 300 (Sulacap-Candelária)
- 369 (Bangu-Candelária)
- 378 (Marechal Hermes-Castelo)
- 384 (Pavuna-Passeio)
- 386 (Anchieta-Candelária)
- 388 (Cesarão-Candelária)
- 393 (Bangu-Candelária)
- 397 (Campo Grande-Candelária)
- 399 (Pavuna-Passeio)
- 665 (Pavuna-Saens Pena)
- SVB665 (Pavuna-Saens Pena)
- 753 (Santa Cruz-Coelho Neto)
- 756 (Santa Cruz-Coelho Neto)
- 757 (Sepetiba-Coelho Neto)
- 759 (Cesarão-Coelho Neto)
- 770 (Campo Grande-Coelho Neto)
- 771 (Campo Grande-Coelho Neto)
- 2303 (Cesarão-Castelo)
- 2336 (Campo Grande-Castelo)
- 2339 (Campo Grande-Castelo)
Na sexta-feira (21), a PM deflagrou a 1ª fase da operação, ocupando Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas. A Avenida Brasil chegou a ser fechada preventivamente.
PMs que avançaram pela comunidade encontraram barricadas e veículos com explosivos, que seriam detonados com a aproximação das forças de segurança, mas não foram ativados.
No fim do dia, a PM afirmou que a ocupação no Complexo de Israel seria por tempo indeterminado. Segundo a corporação, a Cidade Alta e o entorno estavam “estabilizados”.
“Na sexta-feira, mais de 10 toneladas de barricadas foram removidas, e 3 vias que estavam com valas e que impediam a passagem de veículos foram liberadas”, informou o major Maicon Pereira, porta-voz da Polícia Militar.
O objetivo é conter as disputas territoriais entre o TCP e o CV e combater quadrilhas que utilizam o Complexo de Israel como base para roubos de veículos e de cargas.
“A operação também tem como foco o enfrentamento a práticas de perseguição e intolerância religiosa contra minorias religiosas, incluindo praticantes de religiões de matriz africana e outros segmentos cristãos, buscando preservar a liberdade religiosa e a segurança da população”, acrescentou a PM.

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